Primeiro transplante com prótese biológica no Brasil.

 

O transplante com prótese biológica é chamado de Biojoint nos Estados Unidos, sendo realizado há mais de 2 anos com sucesso na Missouri University, em Columbia. Porém, no Brasil, é um procedimento inédito.

Trata-se de um transplante de osso com cartilagem recebida de um doador, que chamamos de transplante osteocondral homólogo a fresco. Este procedimento traz uma solução mais viável a pacientes com menos de 55 anos que sofrem de artrose (desgaste) no joelho.

Ao invés de utilizar uma prótese artificial de metal e plástico que tem a duração média de 15 anos, fazemos o transplante osteocondral homólogo, com prótese biológica que tem maior potencial de durabilidade.

Os enxertos ósseos sem cartilagem já vêm sendo utilizados com sucesso há cerca de 40 anos, com bons resultados. Já os enxertos com cartilagem, são usados há cerca de 10 anos, mostrando bons resultados em pelo menos 80% dos pacientes com lesões pequenas e isoladas.

Há 2 anos, iniciou-se nos Estados Unidos o transplante de partes inteiras do joelho com ossos, cartilagem e meniscos, mostrando bons resultados. A estimativa é de que este transplante tenha uma longa vida útil.

No Brasil, são utilizados enxertos ósseos há de 20 anos. Estes tecidos ficam congelados a -80° C por até 2 anos. Porém, as células e as propriedades da cartilagem são perdidas após 48 horas, permitindo o uso somente da parte óssea.

Com as novas tecnologias, já é possível preservar as células da cartilagem por até 30 dias corridos, possibilitando a utilização de próteses com ossos e cartilagem para transplantes de partes maiores do joelho.

Como não há necessidade de compatibilidade genética, apenas o tamanho ósseo entre doador e paciente é avaliado.

Os enxertos osteocondrais homólogos a fresco já vêm sendo utilizados no Brasil desde 2012 para tratamento de lesões pontuais na cartilagem do joelho, mas transplantes de grandes partes para pacientes com artrose, é a primeira vez.

A paciente em questão é do sexo feminino, e sentia dores há mais de 6 anos. Sua lesão era uma artrose (desgaste) de toda a parte medial do joelho (côndilo femoral e tíbia medial) e também não possuía o menisco, que fora retirado em procedimento anterior.

 

Ela foi submetida ao transplante de osso com cartilagem com prótese biológica provinda do banco de tecidos do Hospital das Clínicas, em São Paulo. A cirurgia foi feita pelo Dr. Ari Zekcer, especialista em joelhos, e substituiu uma parte do fêmur, uma parte da tíbiacom cartilagem nova e também incluiu um transplante de menisco ao joelho.

Como a parte óssea é muito pequena, o risco de rejeição é praticamente inexistente, de forma que a paciente não precisa tomar nenhuma medicação “anti-rejeição”, como acontece no transplante renal, por exemplo.

 

A prótese biológica doada se consolida ao organismo do paciente em aproximadamente 3 meses. As células do doador começam a ser substituídas por novas células do receptor.

Assim, as células chamadas osteoblastos vão removendo células antigas e repovoando o joelho com células novas, até que a cicatrização se

dê por completo e a prótese se consolide totalmente ao paciente.

Prof. Dr. Ari Zekcer
CRM 60577
Especialista em cirurgia do joelho EPM UNIFESP
Especialista em artroscopia das articulações na Health South University of Miami
MBA em Economia da Saúde (Unifesp)
Doutorado na FCM da Santa Casa de São Paulo

 

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