A cartilagem articular é uma substância que recobre a ponta dos ossos e sua aparência lembra muito a parte interna branco de um côco. Ela é composta por células chamadas condrócitos.

A cartilagem é composta por fibras de colágeno tipo II, que tem como função diminuir o impacto e atrito entre os óssos. Ela não tem vascularização e se nutre através do liquido sinovial que fica dentro do joelho.  A cartilagem não tem renovação celular fazendo que uma vez lesionada não tenha potencial para cicatrizar.

As lesões na cartilagem articular do joelho acontecem geralmente por traumas agudos , em geral nos esportes, mas podem se ocasionar por traumas de repetição (ex: maratonistas), principalmente se a pessoa tiver características genéticas familiares de uma cartilagem mais sensível.

Uma vez que aconteceu a lesão na cartilagem a pessoa passa a ter dor, inchaço e muitas vezes sensação de algo solto dentro do joelho. Como a lesão na cartilagem não se recupera sozinha, alguns procedimentos cirúrgicos foram surgindo para tratar destas lesões.

De acordo com o tamanho e profundidade das lesões existe um tratamento. Para as lesões da cartilagem superficiais e com até 1 cm são feitas perfurações no osso subcondral (que fica abaixo da cartilagem) chamado de microfraturas com a intenção de formação de um novo tecido semelhante a cartilagem, porém é semelhante , mas não igual chamado de fibrocartilagem. A fibrocartilagem é composta por fibras colágenas do tipo I, que menos resistência que a tipo II original.

Para lesões maiores que 1 cm e menores que 2 cm fazemos enxerto de cartilagem do próprio individuo retirado de uma área que não utiliza dentro do joelho , chamado enxerto autólogo osteocondral ou mosaicoplastia.

As lesões maiores que 2 cm e profundas são de difícil solução. Há algum tempo são utilizados transplante de cartilagem em blocos grandes  de ósso e cartilagem de joelhos doados, ou seja , banco de tecidos chamados Mega OATS. Mas quando a lesão é maior que 2 cm e superficial, que são a maioria das lesões grandes são feitos transplantes de condrócitos. Os transplantes de condrócitos são realizados através de retirada prévia de um fragmento pequeno de cartilagem” boa”, levado a um laboratório específico e estas células de cartilagem (condrócitos)  são multiplicados. Ao redor de 15 dias as células de condrócitos multiplicados podem ser reimplantados no local da lesão. Este método tem sido usado nos EUA e Europa há mais de 10 anos com bons resultados. No Brasil já fizemos uso no passado, mas os laboratórios de cultivo celular foram fechaods. Atualmente estamos aguardando a liberação da ANVISA para novos laboratórios. Enquanto não temos liberação da Anvisa estamos fazendo as microfraturas do osso subcondral para que haja sangramento do osso e traga células das profundezas para cicatrização e estamos cobrindo com uma membrana de colágeno!!

 

Mosaicoplastia( fig. 1 e 2):enxerto de osso e cartilagem retirado de uma parte do joelho que “não temos uso”, para outra parte que recebe o peso do corpo e esta com lesão:

 

 

 

Cultura de condrócitos( figs :3,4 e 5): é realizada a coleta de um pedacinho de cartilagem normal . Este pedacinho é levado ao laboratório e as células são multiplicadas. Após 15 dias as células em número muito maior são reinseridas no joelho no local onde está faltando cartilagem. Fig. 3: desenho esquemático e fig. 4 e 5: joelho com as lesões na patela e fêmur cobertos com membranda de colágeno e o liquido com as células multiplicadas inseridas na lesão abaixo da membrana.

 

 

 

Microfraturas com cobertura de membrana de colágeno sem cultivo celular usado até o momento no Brasil (6,7 e 8)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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